O jornalismo esportivo não reúne, como se sabe, a nata dos
jornalistas brasileiros. Muito pelo contrário. Analistas como Nelson Rodrigues e João Saldanha, narradores como Ary Barroso, Walter Abrahão, Luciano do Valle ou Geraldo José de Almeida, todos lá em cima, na imagem do blog e mais além, raramente são bem representados cá embaixo.
A pouca exigência da maioria do público, sem senso crítico para fugir do senso comum e o monopólio nas transmissões podem explicar, ao menos em parte, essa pobreza. O campeonato brasileiro é monopólio da Globo (Sportv) há uns 15 anos. Colocam qualquer um para transmitir os jogos, equipes locais sofríveis: narradores com dificuldades de expressão e comentaristas que se limitam a dizer que time está melhor ou pior, coisa que qualquer um está vendo.
Com a Copa de 2014 no Brasil, várias redes estão transmitindo, duas na TV aberta (Globo e Band) e três na TV paga, Sportv, ESPN e Fox Sports (esta com duas opções). Para grande parte da população há seis opções para cada jogo. Com tanta "falta de talento" no jornalismo esportivo, como as TVs estão disputando a audiência? Teremos um show de horrores, lugares comuns, chavões ultrapassados e modismos linguísticos? A ESPN, com equipe disparadamente melhor, vai, literalmente, nadar de braçada?
Aos mais sensíveis, calma: o "literalmente" colocado de forma absurda tem explicação: justo a ESPN deu a primeira escorregada. É detalhe, mas, como disse Esse Cara, detalhes tao pequenos são coisas muito grandes pra esquecer. A praga linguística do momento é o “literalmente”, que deveria apenas diferenciar uma metáfora da acepção original da expressão. Se alguém não entendeu nada, diz-se que “está boiando”, mesmo que não esteja na água. Se a pessoa está na piscina, está literalmente boiando. O ground control da Nasa pede algo a Atmstrong enquanto ele dá pulinhos no solo lunar, mas ele não responde, de tão absorto. Depois de um grito do cara da Nasa, Armstrong ouve e responde “desculpa, pode repetir? É que eu estou no mundo da lua, literalmente". Mas a praga se espalhou pela TV. Um narrador da Sportv disse que o Santos jogava "literalmente com o regulamento debaixo do braço". Imagina a cena: os caras correndo sem balançar os braços para não deixar cair o regulamento. Numa transmissão de F1, Galvão Bueno, transportado à revolução francesa, disse, ao ver uma manobra meio amalucada do Hamilton: “o Hamilton literalmente perdeu a cabeça”.
Uma pessoa qualquer falando bobagem, ok, mas um jornalista? Na TV? Como diria FHC, não dá, não pode. Ainda mais quando o cara tem berço, como André Kfouri, da ESPN, filho do Juca. Estava ele relatando os problemas de tradução simultânea nas entrevistas coletivas dos jogadores da Espanha. O tradutor errava demais. Os jogadores, na sala de entrevistas (não numa piscina), não entendiam as perguntas, sem lógica. André fechou a matéria dizendo que os jogadores espanhóis ficaram “literalmente boiando”.
A pouca exigência da maioria do público, sem senso crítico para fugir do senso comum e o monopólio nas transmissões podem explicar, ao menos em parte, essa pobreza. O campeonato brasileiro é monopólio da Globo (Sportv) há uns 15 anos. Colocam qualquer um para transmitir os jogos, equipes locais sofríveis: narradores com dificuldades de expressão e comentaristas que se limitam a dizer que time está melhor ou pior, coisa que qualquer um está vendo.
Com a Copa de 2014 no Brasil, várias redes estão transmitindo, duas na TV aberta (Globo e Band) e três na TV paga, Sportv, ESPN e Fox Sports (esta com duas opções). Para grande parte da população há seis opções para cada jogo. Com tanta "falta de talento" no jornalismo esportivo, como as TVs estão disputando a audiência? Teremos um show de horrores, lugares comuns, chavões ultrapassados e modismos linguísticos? A ESPN, com equipe disparadamente melhor, vai, literalmente, nadar de braçada?
Aos mais sensíveis, calma: o "literalmente" colocado de forma absurda tem explicação: justo a ESPN deu a primeira escorregada. É detalhe, mas, como disse Esse Cara, detalhes tao pequenos são coisas muito grandes pra esquecer. A praga linguística do momento é o “literalmente”, que deveria apenas diferenciar uma metáfora da acepção original da expressão. Se alguém não entendeu nada, diz-se que “está boiando”, mesmo que não esteja na água. Se a pessoa está na piscina, está literalmente boiando. O ground control da Nasa pede algo a Atmstrong enquanto ele dá pulinhos no solo lunar, mas ele não responde, de tão absorto. Depois de um grito do cara da Nasa, Armstrong ouve e responde “desculpa, pode repetir? É que eu estou no mundo da lua, literalmente". Mas a praga se espalhou pela TV. Um narrador da Sportv disse que o Santos jogava "literalmente com o regulamento debaixo do braço". Imagina a cena: os caras correndo sem balançar os braços para não deixar cair o regulamento. Numa transmissão de F1, Galvão Bueno, transportado à revolução francesa, disse, ao ver uma manobra meio amalucada do Hamilton: “o Hamilton literalmente perdeu a cabeça”.
Uma pessoa qualquer falando bobagem, ok, mas um jornalista? Na TV? Como diria FHC, não dá, não pode. Ainda mais quando o cara tem berço, como André Kfouri, da ESPN, filho do Juca. Estava ele relatando os problemas de tradução simultânea nas entrevistas coletivas dos jogadores da Espanha. O tradutor errava demais. Os jogadores, na sala de entrevistas (não numa piscina), não entendiam as perguntas, sem lógica. André fechou a matéria dizendo que os jogadores espanhóis ficaram “literalmente boiando”.
Pois é. Este blog está aqui para pegar essas pisadas, relatar boas tiradas, criticar ou elogiar transmissões, concordar ou discordar das opiniões “abalizadas” de analistas, ex-árbitros (meu Deus, que praga é essa?), ex-jogadores, narradores e palpiteiros em geral, desafiar o senso comum e brincar um pouco, já que a Copa, por mais que alguns tentem transformar em algo político e que outros encarem como a coisa mais séria do mundo, é, na verdade, uma grande festa, um carnavalzão maravilhoso, um grande desfile de torcidas, um ultra-mega-blaster evento que atrai a todos, mesmo os que passam os outros 4 anos sem ver um único jogo de futebol.
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